Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Conversas de um gajo sem interesse!!


30
Nov10

Estar desempregado é...

por CesarLopes21

Eu sei que já falei desta merda umas quantas vezes. Mas desta vez o assunto vem na origem de uma conversa com um amigo que por acaso está desempregado, mas que eu nem tão pouco sabia.

 

E não sabia por que razão? Porque ele não quer que ninguém saiba. Pôr-se-ia a questão da vergonha, do medo de ser descriminado. E acreditem que pensei nisso. Afinal eu vivo com essas atitudes diariamente. Não que tenha vergonha de mim mesmo ou da minha situação profissional. Afinal não tenho culpa que tenha ido parar para o desemprego. Nem ele.

 

Portanto, não era vergonha nem medo. No fundo, o gajo não queria que ninguém tivesse pena dele. E quando alguém sente pena de nós é simultaneamente constrangedor e frustrante. Enfraquece-nos a possibilidade de nos sentirmos dominadores da situação de desempregados, inúteis e até, para alguns, “parasitas da sociedade”! Deixa-nos à mercê dos abutres que sempre se julgaram superiores a nós começando assim o complexo de inferioridade a surgir na nossa mente. E isso dói.

 

Quais as desvantagens de saberem que estamos desempregados? Primeira, porque as pessoas começam a ter pena de nós. Segunda, tendo pena de nós, começam a oferecer-nos ajuda. Normalmente essa ajuda é a chamada “cunha”. Terceira, porque somos vistos como parasitas, pois acham que estamos desempregados porque “quisemos”. Quarta, porque recebemos pressão constante dos nossos familiares, chegados e afastados, para arranjar qualquer coisa porque há crise.

 

Como já disse anteriormente, só quem esteve ou está desempregado é que sabe que sentimentos são estes. E só falam desta forma quando estão no seu posto de trabalho a trazer o seu salário e reclamando de trabalhar descontando para pagar os subsídios aos “parasitas das sociedade”. Mas quando lhes acontece a mesma desgraça a cantiga já não é a mesma.

 

Outro aspecto que importa realçar é a vontade dos “pseudo-amigos” nos quererem ajudar a arranjar emprego. A “cunha”. Para aqueles que pouco se importam com os aspectos morais, pois esta é forma mais fácil de se obter um “emprego” e não “trabalho”, só encontram vantagens. Para mim, e para o meu colega, só vejo desvantagens:

 

- Se um amigo fala-nos de um emprego, que geralmente não é da nossa área de formação ou nem sequer temos experiência para desempenhar certas funções, encontramos logo aqui dois problemas;

 

- O primeiro é, se dizemos que não estamos interessados (não cabe na cabeça de ninguém aceitar um cargo para o qual não estão minimamente preparados), julgar-nos pensando que não queremos trabalhar;

 

- Se dizermos que sim temos outras questões que importam ressalvar. Uma questão é mais que evidente. Ficar eternamente grato com o gajo que meteu a “cunha”. Mesmo que morre, é obrigatório prestar homenagem ao “cunhado”.

 

- Já com o “tacho” garantido, o nosso chefe sabe que somos “apadrinhados” e tornamo-nos intocáveis. Para quem veja vantagem nisso, esperem até serem desrespeitados pelo resto da equipa, ou até mesmo pelo próprio chefe.

 

- Há ainda a desvantagem de termos de cumprir certas obrigações com o patronato do “tacho”. É impensável chegar tarde, e sair a horas. Muitas vezes, ao contrário que se pensa, nunca se sobe na carreira e aumentos de salários nem vê-los.

 

- Normalmente um gajo sente-se frustrado por ter conseguido aquele emprego por “cunha” e não pelo mérito. Posso até ser um caso raro, mas adoro a meritocracia.

 

Contudo não podemos confundir o “tacho” por “cunha” com algumas situações, embora excepcionais, em que nos “convidam” para desempenhar determinado cargo porque sabem que somos bons a desempenhar as tarefas que nos são propostas. Ou então surge um novo projecto, uma nova empresa, e somos propostos para fazer parte de um novo negócio. É aceitável, desde que não sejamos convidados porque foi um amigo da prima da tia que é vizinha da avó, que está casada com o tio da irmã do gajo que trabalha com o sobrinho da vizinha que tem um periquito que foi oferecido pelo natal pelo avô daquela que está casada com o filho da nossa prima em 3º grau (ufa! Tava a ver que nunca mais acabava) e que por acaso arranjou a cunha na empresa onde ia fazer umas limpezas e onde surgiu uma vaga para paquete de 4ª.

 

Eu sei que um gajo, nestas alturas de crise, tem de aceitar qualquer coisa. Muito embora a minha opinião resiste a esta velha máxima, não é de todo aceitável que alguém que andou a estudar anos, teve uma experiência exemplar mas que a custo de um azar da vida viu-se obrigado a ter de procurar novo emprego, tenha de aceitar agora um emprego qualquer numa caixa de supermercado só porque foi um amigo que lhe arranjou a “cunha”.

 

Há limites, e nem que esse seja até ao fim do subsidio. É que, ao contrário de que se pensa, para se usufruir do subsídio de desemprego antes já se descontou para a Segurança social, durante muitos bons anos e uma boa quantia, ou seja…

 

…este dinheiro é meu, emprestei-o e agora estão a devolver-me com juros.

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Imagem de perfil

De blue258 a 02.12.2010 às 01:02

Muito bem posto, César. Para além de levares o foco para uma questão tão importante como o desemprego, acabas por salientar muitos dos aspectos que assolam a nossa economia.



P.S. Gosto de te ver escrever assim. Continua!
Imagem de perfil

De CesarLopes21 a 02.12.2010 às 02:50

Neste momento o assunto é o desemprego... tem de ser... que é pra malta vir cá dar uma espreiadela e perceber um pouco o que é estar sem "trabalho"....
P.S: Eu sei.... e tentarei dar-me a esse luxo... tem faltado é música!
Imagem de perfil

De blue258 a 02.12.2010 às 23:04

É um assunto que te diz respeito, e é uma realidade que quase todos conhecemos, de uma forma ou de outra.

P.S. Toca a pôr umas musiquinhas também!
Imagem de perfil

De CesarLopes21 a 03.12.2010 às 16:18

as musiquinhas estão em lista de espera... tenho de ver se as coloco...

 

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog